Depois de um mês indo aos bares, às vezes mais de um por noite para dar tempo de juntar todos os selos necessários para trocar nosso
“álbum de figurinhas” por belas taças da Bohemia, chegou o grande dia: a Festa da Saideira!
Sim, achamos muito caro pagar R$20,00 apenas para entrar na Casa do Conde no sábado, mas relevamos – afinal, poderia ser uma maneira de selecionar o público e também de reduzir um pouco o número de pessoas. Ledo engano...
Não bastasse o salgado preço da entrada, os estacionamentos cobravam R$10,00 – até aí, já foram R$30,00 só para entrar no evento! Lá dentro, a coisa não era diferente: R$3,00 uma latinha de cerveja! P-Q-P! Acrescente a isso o fato da cerveja não estar muito gelada e os refrigerantes, quentes (se fosse uma votação do Festival, levaria uma nota 6 pela temperatura da cerveja) .
Os pratos, tudo bem, qualquer um por R$5,00. É justo, desde que seja como o prato do Bar do Bigode, por exemplo – uma cumbuquinha de plástico que dava para duas pessoas, tranqüilamente; por outro lado, alguns bares seguiram bem o exemplo da organização e meteram a faca! O Via Cristina, por exemplo, servia um pratinho menor que aqueles descartáveis de comer bolo em festa de aniversário, pelos mesmos cinco reais. Já o Luizinho foi obrigado a aumentar o preço dos seus famosos churrasquinhos para se adaptar à regra – se no bar um espetinho custa R$2,00, na Saideira foram obrigados a vender dois por R$ 5,00.
Então, o
“locutor” anunciava:
Tire sua foto oficial do Comida de Buteco!E lá fomos nós... Cada foto custava R$8,00! Só para constar, em recente evento na Praça da Estação você tirava sua foto e a levava impressa totalmente de graça. Na Saideira o público era muito maior, mas eles poderiam ter cobrado menos e faturado o mesmo tanto - ou mais até - com um número maior de pessoas tirando suas fotos. Mas não, todos querem lucrar o máximo possível da maneira mais rápida.
Ao lado do “estúdio fotográfico”, um segurança nos informa que o banheiro masculino está interditado por quê
“vão lavar as coisas do curso nele” (sic). Se fosse uma votação do Festival, 3 em higiene...
Ok, vamos trocar nossos passaportes...
Ninguém sabia informar onde era feita a troca! Se fosse uma votação do Festival... Nota 3 em atendimento.
Depois de muito perguntar, nos informaram que era do lado de fora, no ônibus da Bohemia. Fomos lá. Ah, o senhor tem que pegar os vales primeiro. Onde? Lá dentro.
Voltamos lá no Bar da Bohemia: duas moças apenas e uma fila enorme de pessoas querendo trocar seus milhares de passaportes! Enquanto uma conferia e carimbava selo por selo de cada passaporte, a outra anotava os dados de cada um deles num livro de registro. Mais uma surpresa: se você tivesse, sei lá, 10 passaportes e apenas um preenchido, ótimo, era rapidinho: a moça anotava o nome de um só e pronto. Eu estava com o passaporte de mais 4 amigos, ou seja, com 5 passaportes, todos preenchidos com os dados de cada um – ou seja, ela teve que anotar os dados de um por um. Não entendi para quê...
No fim das contas, foi uma tarde de sábado agradável. Foi um dia bonito, muitos amigos, todo mundo se divertindo... Mas o que ficou mesmo foi uma sensação de ter sido passado para trás, de ter sido logrado. Afinal, o que era pra ter sido uma festa de encerramento de um festival bacana mais pareceu uma grande desculpa para uns poucos lucrarem muito.
Eu só não entendi ainda para quê tantos patrocinadores - Siemens, TIM, Fiat, Bohemia - se nada disso foi revertido em prol do público.
Ano que vem, vou pensar bem antes de gastar tanto dinheiro indo nessa festa. De repente é melhor gastar a metade disso passando uma agradável tarde de sábado almoçando no Amigos e Antigos ou na Churrascaria do Itamar.